Ao completar oito anos de atuação, a Rede pela Circularidade do Plástico apresenta avanços que demonstram como a circularidade das embalagens plásticas vem ganhando escala no Brasil por meio da integração entre diferentes elos da cadeia produtiva.
Criada em abril de 2018 e mobilizada pela Abiplast, a iniciativa reúne gestores de resíduos, cooperativas, petroquímicas, recicladores, transformadores, indústrias de bens de consumo e varejo, além de parceiros institucionais. A atuação é estruturada em cinco eixos principais e conecta etapas como design, coleta, triagem, educação ambiental e mercado reciclador, com foco na ampliação da reciclabilidade e no aumento da oferta de material disponível para reciclagem. “O objetivo da Rede é claro: ampliar, de forma consistente, a reciclabilidade do plástico no Brasil, de forma que se reduzam desperdícios e, ao contrário, possamos reintroduzir o plástico na cadeia produtiva, de maneira eficiente e efetiva“, descreve Juliana Seidel, líder do eixo de Design da Rede Pela Circularidade do Plástico.
Os resultados da Rede acompanham o crescimento do setor no país. Atualmente, a reciclagem de plásticos movimenta cerca de R$ 4 bilhões por ano e gera mais de 20 mil empregos diretos. Segundo dados do Movimento Plástico Transforma, em 2024, 21% dos plásticos pós-consumo foram reciclados e a taxa de reciclagem de embalagens atingiu 24,4%, indicando evolução e potencial de expansão. A Rede tem estruturado projetos que transformam a circularidade em prática operacional. “Não se trata de atuar em um único ponto da cadeia, mas de conectar decisões que começam no desenvolvimento das embalagens e seguem até a sua destinação final“, afirma Juliana Seidel.
Um dos exemplos é o projeto Recicla Cidades, desenvolvido em municípios do litoral paulista. No Guarujá, cerca de 85 toneladas de resíduos plásticos foram recuperadas, com mais de 3,2 milhões de embalagens destinadas corretamente durante a atuação do projeto. Em Praia Grande, a primeira fase viabilizou a destinação de mais de 2 milhões de embalagens e impactou diretamente mais de 21 mil pessoas. Em Bertioga, a continuidade das ações levou à institucionalização da iniciativa como política pública permanente, ampliando a coleta seletiva e fortalecendo a estrutura local de reciclagem.
Além da operação, a Rede também investe em conscientização. “A forma como o material chega à triagem influencia, diretamente, o que será possível reaproveitar. Por isso, trabalhar o descarte correto e a compreensão sobre reciclabilidade é parte essencial do processo“, destaca Juliana Seidel. O avanço da circularidade também tem sido impulsionado por novas exigências legais, como as metas de logística reversa previstas no Decreto nº 12.688/2025, que estabelece objetivos progressivos para recuperação de embalagens e uso de conteúdo reciclado no país. Para Juliana Seidel, o decreto contribui para direcionar o setor. “Ao estabelecer metas e parâmetros mais claros, o decreto ajuda a organizar a cadeia e a orientar decisões técnicas e produtivas“, afirma a profissional.
UM MOVIMENTO CONSTANTE
Entre os projetos em andamento, o CirculaFlex reúne recicladores homologados, cooperativas capacitadas e monitora a destinação de centenas de toneladas de embalagens flexíveis para reciclagem. A iniciativa também busca rotas alternativas para embalagens mais complexas e orienta cooperativas e cooperados na triagem e separação desses materiais. “A qualidade do plástico reciclado é definida muito antes de ele chegar à indústria. Quando a triagem é bem-feita, o impacto na eficiência do processo e no valor do material é imediato“, explica Lucas Silva.
No campo do design, a plataforma RETORNA auxilia empresas na avaliação técnica de embalagens plásticas, aproximando decisões de projeto das condições reais de reciclagem e do mercado. “A forma como a embalagem é concebida tem impacto direto na sua circularidade. Aproximar o design da realidade da reciclagem é um passo importante para ampliar esses resultados“, destaca Juliana. Outra iniciativa é o Circularize, que fortalece a conexão entre cooperativas e indústria recicladora, ampliando conhecimento, rastreabilidade, valor e qualidade dos materiais comercializados.
A Rede também mantém parceria com a universidade iWrc para ampliar o acesso à capacitação técnica por meio de cursos gratuitos voltados a cooperativas e profissionais da triagem. Os conteúdos, oferecidos a distância, abordam identificação, separação e processamento de diferentes tipos de plástico, etapas que influenciam diretamente a qualidade do material reciclado e sua reinserção na cadeia produtiva. “Quando quem coleta e separa os materiais entende a demanda da indústria, criamos condições reais para aumentar o volume e a qualidade do que retorna ao ciclo produtivo“, pontua Silva.
Com a combinação de projetos técnicos, ações territoriais e formação profissional, a Rede pela Circularidade do Plástico consolida uma agenda baseada na articulação entre diferentes frentes e na aplicação prática do conhecimento. “Ao completar 8 anos de fundação, a Rede pela Circularidade do Plástico acompanha a evolução de um modelo que conecta conhecimento, operação e território e amplia, de forma consistente, a circularidade do plástico no Brasil“, conclui o executivo.