A indústria brasileira de embalagens plásticas flexíveis encerrou 2025 com faturamento bruto de R$ 40,1 bilhões, alta de 6,2% em relação ao ano anterior, mas registrou retração na quantidade produzida e manteve nível relevante de ociosidade. Os dados são de levantamento da Maxiquim realizado para a ABIEF (Associação Brasileira da Indústria de Embalagens Plásticas Flexíveis).
A produção total somou 2,321 milhões de toneladas, queda de 0,5% frente a 2024, enquanto o consumo aparente recuou 0,9%. Com capacidade instalada de 3,297 milhões de toneladas por ano, o setor operou com taxa média de utilização de 70,4% em 2025, indicando margem ociosa nas fábricas em um ambiente de crédito restrito e demanda irregular.
O desempenho ocorre em um cenário macroeconômico de crescimento moderado. O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro avançou entre 2,3% e 2,4% em 2025, abaixo do ritmo observado no ano anterior. A inflação fechou em 4,26%, enquanto a taxa básica de juros chegou a 15% em dezembro, influenciando consumo, investimentos e condições de financiamento. A produção industrial geral cresceu 0,9%, mas com diferenças significativas entre os setores que demandam embalagens.
A agropecuária foi o principal vetor de expansão. A demanda do segmento por embalagens plásticas flexíveis cresceu 9,7%, alcançando 316 mil toneladas. Dentro desse grupo, a produção ligada ao segmento agroindustrial, como filmes agrícolas, geomembranas e embalagens para fertilizantes, avançou 10,1%. O resultado contrasta com o desempenho de outros clientes relevantes da indústria.
Responsável por cerca de 40% do total de embalagens produzidas, o setor de alimentos recuou 3% em 2025. Também houve retração em higiene pessoal (-11,4%) e limpeza doméstica (-5,7%). Bebidas registraram queda de 0,3%. O movimento levou a uma redução de aproximadamente 2% no consumo per capita de embalagens plásticas flexíveis, que passou de 11 kg por habitante ao ano, em 2024, para 10,8 kg em 2025.
Apesar da queda em volume, a receita avançou impulsionada por reajustes de preços e pelo câmbio valorizado ao longo do período. No acumulado desde 2010, o crescimento médio anual do setor é de 7,2% em reais, mas apresenta variação média negativa de 0,7% quando convertido em dólares, refletindo perda de dinamismo em moeda forte.
A estrutura produtiva permanece pulverizada. O país conta com 3.888 empresas convertedoras de embalagens plásticas flexíveis, responsáveis por 116.283 empregos formaais. O estado de São Paulo concentra 1.638 dessas empresas. Do total, 36% têm até quatro funcionários, evidenciando predominância de micro e pequenos negócios. Regionalmente, 54,5% das indústrias estão no Sudeste e 27,5% no Sul.
Em relação às matérias-primas, o polietileno de baixa densidade (PEBD) e o polietileno linear de baixa densidade (PEBDL) responderam juntos por 73% da produção. O polipropileno (PP) representou 15%, e o polietileno de alta densidade (PEAD), 12%. A utilização de material reciclado permaneceu estável, equivalente a 5% do total produzido, ou cerca de 106 mil toneladas.
No comércio exterior, o setor registrou saldo positivo de 12,8 mil toneladas em 2025, aumento de 284,9% sobre 2024. Em valores, porém, o saldo em dólares permaneceu negativo pelo segundo ano consecutivo. As importações caíram 9,3% em volume, enquanto as exportações recuaram 1,1%. A sobreoferta global de resinas contribuiu para a pressão sobre os preços internacionais.
A avaliação do setor é que 2025 foi marcado por resiliência financeira, mas com dependência crescente do agronegócio como motor de demanda e manutenção de capacidade ociosa nas fábricas. Para 2026, a expectativa é de crescimento econômico moderado, inflação relativamente controlada e possível redução gradual da taxa de juros, fatores que podem favorecer uma leve recuperação do consumo, sobretudo de bens essenciais.
Ao mesmo tempo, seguem em discussão medidas regulatórias relacionadas a alíquotas de importação de filmes plásticos, que podem alterar a dinâmica competitiva e o desempenho do comércio exterior da indústria.