Encontrar Artigos

Carregando...

PESQUISA MOSTRA QUE AUMENTO DE 1% NA RECICLAGEM PODE REDUZIR MILHARES DE TONELADAS DE RESÍDUOS PLÁSTICOS POR ANO

Um estudo recente conduzido pela Avery Dennison com especialistas, autoridades e representantes da indústria em 11 países, incluindo o Brasil, mostra que um aumento de apenas 1% na taxa de reciclagem pode evitar o descarte de cerca de 2 mil toneladas de resíduos plásticos por ano. A estimativa considera um cenário com 10 bilhões de frascos plásticos produzidos anualmente por uma indústria de engarrafamento.

A pesquisa aponta que a adoção de inovações no design de embalagens e rótulos pode ser decisiva para viabilizar a transição para uma economia circular no setor de bens de consumo.Panorama do Consumo de PlásticoNas últimas três décadas, o consumo global de plástico quadruplicou. Atualmente, esse material representa cerca de 3,4% das emissões globais de gases de efeito estufa.

Estima-se que, por ano, são produzidas aproximadamente 3,5 trilhões de embalagens destinadas a alimentos, bebidas e produtos de higiene.Diante desse cenário, aumentar as taxas de reciclagem e reduzir a dependência de plástico virgem se tornou uma prioridade para diversos setores industriais.

Pressões Regulatórias e ComportamentaisO estudo destaca que o avanço em direção à circularidade é impulsionado por diferentes fatores:

Regulamentações ambientais, que impõem metas de redução de emissões e exigem maior reaproveitamento de materiais;

Comportamento dos consumidores, que demonstram preferência por produtos sustentáveis;

Exigências de varejistas, que estão cada vez mais restritivas quanto ao uso de embalagens recicláveis ou compostáveis.

Esses fatores estão obrigando empresas do setor a repensar suas estratégias de produção e logística, especialmente no que se refere à embalagem. A pesquisa mostra que as embalagens não servem apenas à conservação e proteção dos produtos, mas têm um papel estratégico em toda a cadeia de sustentabilidade. São vistas como um dos componentes mais visíveis da responsabilidade ambiental de uma marca.

Um dos pontos destacados no levantamento é o uso de etiquetas autoadesivas no processo de rotulagem. Segundo o estudo, esse tipo de material pode influenciar diretamente a viabilidade de reciclagem dos frascos, sobretudo quando projetado para permitir a separação de componentes durante o processamento dos resíduos. A pesquisa cita como exemplo as etiquetas com tecnologia de “liberação limpa” (clean release), que facilitam a remoção da tinta e do adesivo durante a reciclagem, sem comprometer a integridade do plástico. Isso melhora a qualidade do material reciclado, o que permite sua reutilização em novas embalagens e reduz a necessidade de plástico virgem.

A substituição de plástico virgem por plástico reciclado tem impacto direto nas emissões. Segundo os dados apresentados, o uso de plásticos rígidos reciclados pode gerar até 70% menos emissões de gases de efeito estufa em comparação com os materiais convencionais.Além disso, soluções que permitem a rastreabilidade e a transparência ao longo da cadeia produtiva — como códigos QR, etiquetas inteligentes (RFID) e informações variáveis — foram destacadas como formas de ampliar o controle e o monitoramento dos processos de reciclagem.

O levantamento prevê que a indústria de embalagens passará por transformações significativas nos próximos cinco a dez anos. A adaptação à economia circular envolverá a ampliação da reciclabilidade, a adoção de tecnologias para reutilização e a redução de emissões em toda a cadeia de produção.Os rótulos e etiquetas, segundo o estudo, devem seguir evoluindo não apenas em design, mas também em funcionalidade. Entre os aspectos técnicos mais valorizados pelas empresas estão:

Capacidade de personalização e inserção de informações variáveis;

Interação com consumidores por meio de recursos digitais;

Aplicabilidade em diversos formatos de embalagens;

Adaptação a diferentes velocidades e volumes de produção.

O estudo também destaca a relevância de regulamentações internacionais, como o Regulamento de Embalagens e Resíduos de Embalagens (PPWR) da União Europeia, que deve aumentar a pressão sobre empresas em diversos mercados para adotar soluções mais sustentáveis.