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A PATENTE DESENVOLVIDA NO BRASIL PROPÕE USO DE RESÍDUOS INDUSTRIAIS COMO MATERIA PRIMA NA INDÚSTRIA QUÍMICA

A divisão brasileira da Merck Life Science obteve o licenciamento global de uma patente que propõe um sistema digital para reaproveitamento de resíduos industriais na produção química. A tecnologia foi desenvolvida no país e busca integrar sustentabilidade e eficiência produtiva por meio da reutilização de subprodutos que, tradicionalmente, seriam descartados. O projeto foi liderado por Misael Silva, gerente do Ecossistema de Inovação da companhia na América Latina. A proposta consiste em uma plataforma online que conecta empresas geradoras de resíduos a fabricantes interessados em utilizá-los como insumos em novos processos produtivos.

Plataforma cruza dados químicos e oferta de resíduosDe acordo com a empresa, o sistema combina inteligência química com ferramentas digitais para mapear subprodutos industriais e cadastrá-los em uma base de dados. A plataforma funciona como um ambiente de intermediação: fornecedores disponibilizam informações sobre resíduos disponíveis, enquanto indústrias químicas informam quais moléculas desejam produzir.

A partir desses dados, o sistema realiza o chamado roteamento da síntese química, processo que identifica quais resíduos podem ser utilizados como reagentes na fabricação da substância desejada.Um dos exemplos citados na patente é o reaproveitamento do hidroxiacetaldeído, composto frequentemente tratado como subproduto, na síntese de moléculas de maior valor agregado.

A proposta é reduzir tanto o volume de descarte quanto a dependência de matérias-primas virgens. Segundo Silva, a iniciativa busca alinhar ganhos ambientais e operacionais. “Ao transformar resíduos em recursos úteis, contribuímos para a redução do impacto ambiental e para uma indústria química mais integrada e circular”, afirmou.

A tecnologia, desenvolvida pela equipe brasileira, foi licenciada para uso global dentro da estrutura da empresa. O movimento reforça a participação das operações no Brasil em projetos de inovação com alcance internacional. Especialistas apontam que soluções desse tipo acompanham uma tendência crescente na indústria química, pressionada por metas ambientais, exigências regulatórias e pela necessidade de redução de custos operacionais. A digitalização de cadeias produtivas e a rastreabilidade de insumos também têm ganhado espaço como ferramentas para ampliar a eficiência e a transparência no setor.

A Merck atua nas áreas de saúde, ciências da vida e eletrônicos, com presença em dezenas de países. Em 2024, a companhia registrou vendas de € 21,2 bilhões de euros. A empresa afirma que a sustentabilidade e a inovação científica são eixos estratégicos de sua atuação global. A nova patente se insere nesse contexto, ao propor uma alternativa tecnológica para reduzir desperdícios industriais e ampliar o aproveitamento de recursos já disponíveis nas cadeias produtivas.