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DEFESA CIRCULAR: PROJETO QUER COMPROVAR, COM DADOS AUDITÁVEIS, A VIABILIDADE DA ECONOMIA CIRCULAR PARA PLÁSTICOS DE USO ÚNICO

Em um cenário de maior pressão regulatória e exigências ambientais crescentes, ações estruturadas em defesa da economia circular tornam-se essenciais para qualificar o debate e fortalecer o setor produtivo. Ao gerar dados e resultados concretos, essas iniciativas contribuem para decisões mais técnicas, equilibradas e alinhadas à sustentabilidade econômica, ambiental e social.

Neste contexto surge o Projeto Defesa Circular, uma iniciativa estruturada pelo Sindicato das Indústrias Plásticas do Sul Catarinense (SINPLASC) em parceria com o municipio de Orleans SC, com o objetivo de comprovar, na prática e com rastreabilidade auditável, a viabilidade técnica e econômica da circularidade dos plásticos de uso único e de baixa reciclabilidade.

Concebido como modelo piloto, escalável e replicável, o projeto pretende gerar dados concretos capazes de subsidiar decisões empresariais e políticas públicas, especialmente diante do avanço de propostas de banimento desses materiais no Congresso Nacional. A iniciativa busca comprovar que, quando inseridos em um sistema estruturado de coleta, rastreabilidade e reaproveitamento, esses plásticos podem ter destino nobre e bons índices de reinserção produtiva dentro da economia circular.

Desta forma o setor poderá superar os principais argumentos e narrativas equivocadas que predominam neste debate.Idealizado a partir das diretrizes apontadas pela pesquisa INOVASUL, realizada em 2024 pela UNESC com apoio do senador Esperidião Amin, o projeto é resultado da mobilização de 34 empresários do setor plástico do Sul de Santa Catarina. O município de Orleans (SC) foi escolhido para sediar a iniciativa, tornando-se o território de implementação do modelo em escala real.

Como funciona o modelo operacional integradoNa prática, o Defesa Circular articula todas as etapas da cadeia em um sistema integrado e monitorado, garantindo controle de origem, fluxo e transformação dos materiais. O processo inicia com mobilização comunitária e orientação técnica para a separação correta dos resíduos na fonte geradora. A coleta seletiva porta a porta é realizada por cooperativas capacitadas, com veículos adequados para preservar a integridade do material.

Pontos de Entrega Voluntária com controle de acesso e dispositivos de rastreamento registram a origem e o fluxo dos resíduos. Na Central de Triagem reestruturada, os materiais são classificados por tipo e qualidade, com controle de volumes e procedência. Os plásticos com viabilidade comercial seguem para a indústria recicladora com documentação fiscal integrada à plataforma Recircula Brasil, assegurando rastreabilidade até a transformação final.

Já os materiais de baixa reciclabilidade são destinados à Usina de Termoplásticos, onde são integralmente convertidos em novos produtos para construção civil e mobiliário urbano, também acompanhados pelo sistema.A proposta central é clara: o desafio não estaria no material em si, mas na ausência de sistemas eficazes de gestão e reaproveitamento.

Posicionamento institucional e visão estratégica

Segundo o presidente do SINPLASC, Reginaldo José Cechinel, a produção de dados reais, auditáveis e replicáveis desloca o debate do campo ideológico para o campo técnico, permitindo demonstrar que a economia circular pode ser alternativa mais eficiente e responsável do que o banimento genérico de materiais. O diretor executivo da entidade, Elias Caetano, afirma que o projeto foi estruturado como resposta técnica às críticas recorrentes ao setor, criando base concreta para influenciar a formulação de políticas públicas.

Ao assumir o desafio de sediar o projeto, o prefeito de Orleans, Fernando Cruzetta, destaca que a iniciativa está alinhada à estratégia do município de investir em planejamento ambiental de longo prazo e soluções concretas implementadas no território.

Engajamento empresarial e Lei de Incentivo à Reciclagem

O sucesso do projeto depende do engajamento direto das empresas do setor. A principal via de apoio é o aporte de recursos por meio da Lei de Incentivo à Reciclagem (LIR), que permite destinar parte do Imposto de Renda devido a projetos aprovados e auditados, com impacto ambiental e social mensurável.Também são previstas doações diretas, patrocínios, cessão de equipamentos, tecnologia, capacitações técnicas e produção de conteúdos para documentar resultados.

Empresários do setor avaliam que o apoio ao Defesa Circular representa investimento estratégico com retorno ambiental, social e institucional. Entre os impactos esperados estão a ampliação da reciclagem, fortalecimento de cooperativas, geração de renda, incentivo à educação ambiental, evidenciando a relevância da iniciativa para a qualificação do debate público com base técnica e consequante redução de riscos regulatórios.

Apesar de desafios como custos do material reciclado frente à resina virgem e necessidade de maior integração entre setor produtivo, poder público e sociedade, a iniciativa se propõe a demonstrar que a circularidade organizada de forma integrada é alternativa mais eficiente e responsável do que o banimento genérico de materiais.

Estamos fazendo um chamado à cadeia do plástico para estarem conosco nesta ação, aportando Imposto de Renda ou outras formas de apoio. É um momento decisivo!” pontua o Diretor Executivo Elias Caetano. Interessados podem entrar em contato diretamente com o Sinplasc.

Por Laise Silva