Apesar de enfrentar desafios operacionais e financeiros, companhia alcança lucro líquido de R$ 698 milhões e reforça investimentos estratégicos no Brasil
A Braskem, petroquímica global voltada para soluções sustentáveis na química e no plástico, registrou um EBITDA recorrente de R$ 1.321 milhões (US$ 224 milhões) no primeiro trimestre de 2025, crescimento de 121% em relação ao quarto trimestre de 2024. O lucro líquido atribuível aos acionistas foi de R$ 698 milhões (US$ 113 milhões), o maior desde o primeiro trimestre de 2023.
Mesmo com esses resultados positivos, a geração de caixa operacional ficou em R$ 936 milhões, impactada principalmente pela gestão de estoques e pelos pagamentos semestrais de juros da dívida, que somou US$ 8,6 bilhões no fim do trimestre. Desse total, 75% dos vencimentos estão previstos apenas a partir de 2030, mantendo o perfil de longo prazo da dívida.
O consumo de caixa foi de R$ 2,4 bilhões, principalmente devido ao pagamento dos juros das emissões feitas no mercado internacional. “Tivemos fortes desafios no primeiro trimestre do ano, mas seguimos com direcionamento estratégico e foco na resiliência e higidez financeira”, afirmou Roberto Ramos, CEO da Braskem. No cenário externo, os spreads de polietileno (PE) e químicos subiram em relação ao trimestre anterior, impulsionados por menor oferta nos EUA e pela volatilidade nos custos de matérias-primas, reflexo das tensões geopolíticas. O spread internacional de PE subiu 15%, e o dos principais químicos, 6%.
Na América do Sul, a taxa de utilização das centrais petroquímicas aumentou 4 pontos percentuais, com destaque para a unidade de base gás no Rio de Janeiro. Já nas operações nos Estados Unidos e Europa, a taxa de utilização das plantas de polipropileno (PP) subiu 13 pontos, refletindo a melhora nas vendas. No México, mesmo com queda de 5% nas vendas, o spread de PE subiu 4%, elevando o EBITDA recorrente em dólares em 6%.
No Brasil, o volume de vendas de resinas se manteve estável, com aumento de 2% nas vendas de PE e 3% nas de PP, compensando a queda de 16% no PVC. As exportações caíram 17%, devido à priorização do mercado doméstico e à menor disponibilidade de produto. A capacidade da planta de eteno verde no Rio Grande do Sul foi revisada para 275 mil toneladas anuais, evidenciando ganhos de eficiência.
A Braskem investiu US$ 64 milhões (R$ 336 milhões) no trimestre, com destaque para a compra de um terreno no polo industrial de Duque de Caxias (RJ). A previsão para o ano é de US$ 404 milhões (R$ 2,4 bilhões) em investimentos, com foco em projetos base gás e em iniciativas voltadas para produtos de base biológica. “Switch to gas and fly up to green é o foco principal”, disse Ramos.
Em Maceió, a empresa segue trabalhando na mitigação dos efeitos do fenômeno geológico local. A provisão total caiu 9%, chegando a R$ 5,1 bilhões. Até março, 99,9% das propostas de compensação foram apresentadas, com 99,2% já pagas, além de avanços nas realocações e na execução de projetos de mobilidade urbana — seis concluídos, dois em andamento e três em fase de planejamento. A Braskem reforça seu compromisso com a transformação do setor, investindo em soluções sustentáveis e inovação para garantir competitividade e responsabilidade socioambiental no longo prazo.