A indústria química brasileira defendeu, em audiência no Senado, a importância de um tratado global sobre plásticos que priorize a economia circular e metas claras para reduzir a poluição plástica. A Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) ressaltou que a solução para o desafio da poluição plástica começa com o fortalecimento do tratado global, com base em consenso entre países e embasamento técnico-científico.
A Abiquim acredita que o acordo deve regular e harmonizar regras globais, com base científica, sem impor proibições ou limitações à produção de plásticos, o que poderia prejudicar o desenvolvimento econômico, especialmente em países em desenvolvimento. O presidente-executivo da Abiquim, André Passos Cordeiro, destacou que a indústria química brasileira apoia fortemente o acordo e defende que as políticas nacionais estejam em sintonia com as diretrizes globais.
“A indústria química brasileira está engajada em alcançar a neutralização de emissões de carbono até 2050 e já trabalha em metas de aumento do conteúdo reciclado e da reciclagem”, afirmou Cordeiro. Ele também ressaltou que o setor é referência internacional em cuidados com a saúde, a segurança e o meio ambiente, com destacado desempenho no programa global “Atuação Responsável”.
A audiência, presidida pelo senador Esperidião Amin, discutiu os impactos ambientais, econômicos e sociais da regulação internacional sobre plásticos, em preparação para a quinta rodada de negociações do Comitê Intergovernamental de Negociação (INC-5.2) da ONU, que acontecerá em Genebra, na Suíça.
A Abiquim estima que o Brasil poderá perder cerca de 514 mil empregos em toda a cadeia produtiva, caso o acordo siga um caminho radical pelo banimento dos plásticos. Além disso, haveria uma redução no faturamento anual no mercado de reciclagem, chegando à casa dos R$ 2,4 bilhões.
A indústria química defende a adoção de uma abordagem técnica conhecida como “Árvore de Decisão”, que avalia aspectos como reciclabilidade, design, risco de vazamento e impacto ambiental, permitindo decisões mais precisas sobre o destino e o uso de cada tipo de plástico. “Não se trata de um julgamento isolado, mas de uma construção coletiva com base científica e redes globais de pesquisa“, explica Cordeiro.
A Abiquim também destacou a importância da publicação do decreto de logística reversa de embalagens plásticas, alinhado à Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), e a necessidade de o país aderir a um acordo legalmente vinculante para eliminar a poluição plástica. “Precisamos investir na construção coletiva de soluções duradouras, em vez de adotar medidas pontuais que possam comprometer nosso protagonismo global”, concluiu Cordeiro.