Índice para embalagens atinge 24,4% e setor registra aumento de faturamento e empregos
Após um 2023 marcado por retração, a indústria brasileira de reciclagem de plásticos apresentou sinais de recuperação em 2024. O índice de reciclagem mecânica para embalagens plásticas pós-consumo alcançou 24,4%, enquanto o índice geral para todos os tipos de plásticos foi de 21%. O estudo, encomendado pelo Movimento Plástico Transforma – iniciativa do PICPlast (parceria entre a ABIPLAST e a Braskem) – e realizado pela consultoria MaxiQuim, confirma a retomada do setor.
A produção de resina reciclada pós-consumo (PCR) atingiu 1,012 milhão de toneladas, um crescimento de 7,8% em relação a 2023, posicionando o Brasil entre os maiores produtores mundiais. Em termos de relevância regional, Brasil e México foram responsáveis juntos por 76% do volume reciclado na América Latina em 2023, consolidando o peso estratégico do setor. A pesquisa também destacou a demanda estável de grandes empresas comprometidas com metas ESG e economia circular, apesar do prolongado ciclo de baixa nas commodities petroquímicas, que manteve pressão sobre os preços e a competitividade dos reciclados.
O desempenho positivo em 2024 refletiu no faturamento, que chegou a R$ 4 bilhões, um aumento nominal de 5,8% sobre o ano anterior. O setor também ampliou sua capacidade de geração de empregos, alcançando 20.043 postos diretos, um crescimento de 7,7%. Foram processadas 1,55 milhão de toneladas de resíduos plásticos (pós-consumo e pós-industrial), com destaque para embalagens, que representaram 87% desse total.

A produção de resina PCR acumulou crescimento de 33,6% desde 2018, com predominância de PET (39%), seguido por PEAD (20%), PP (18%) e PEBD/PEBDL (15%). Os principais destinos em 2024 foram os setores de Alimentos e Bebidas (167 mil toneladas), Higiene e Cosméticos (132 mil toneladas) e Construção Civil (130 mil toneladas). A agroindústria foi o destaque, crescendo mais de 35% e consumindo 92 mil toneladas, enquanto eletrodomésticos e eletroeletrônicos também ampliaram sua participação, chegando a 54 mil toneladas.

A reciclagem segue concentrada nas regiões Sudeste e Sul, responsáveis juntas por mais de 70% da produção nacional de PCR. O Sudeste lidera com 55,5% (559 mil toneladas), seguido pelo Sul com 26,2% (266 mil toneladas). O Nordeste, no entanto, mostrou expansão expressiva de 16,6%, atingindo 139 mil toneladas, consolidando-se como a terceira força nacional. Criado em 2016, o Movimento Plástico Transforma atua na promoção de conteúdo e ações educativas sobre o uso responsável, reutilização e reciclagem do plástico. A iniciativa já impactou milhares de pessoas em todo o Brasil e reforça o compromisso da cadeia produtiva com a sustentabilidade e a inovação.