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SEM SUSTENTABILIDADE ECONÔMICA, PROJETOS DE RESÍDUOS SÓLIDOS PODEM PARAR, ALERTA GOVERNO

A falta de sustentabilidade econômica e de previsibilidade no financiamento ameaça a continuidade de projetos de resíduos sólidos no Brasil. O alerta foi feito nesta quarta-feira (27) pelo assessor especial da Secretaria do Programa de Parcerias de Investimentos da Casa Civil da Presidência da República, André Oliveira de Araújo, durante a II Conferência Internacional de Resíduos Sólidos e Saneamento (CIRSOL), que acontece em Brasília até a próxima sexta-feira (29). Segundo Araújo, atualmente existem 20 projetos em andamento e outros 30 em fase de espera. Porém, sem garantias de retorno econômico e de apoio dos bancos, muitos podem ser interrompidos. “Sem viabilidade econômica e sem garantias de financiamento, os projetos vão parar”, afirmou o assessor.

Outro desafio destacado no evento foi a falta de padronização nas tarifas cobradas pelos aterros sanitários. Para o assessor técnico da Casa Civil, Pedro Alves Duarte, a disparidade de valores entre municípios gera insegurança e prejudica o avanço do setor. “O mesmo aterro cobra tarifas diferentes de municípios distintos, sem critérios claros”, criticou. Além do financiamento, a universalização dos serviços de saneamento também foi tema de debate na conferência. Para a especialista em saneamento ambiental Giuliana Talamini, o grande desafio é conciliar a expansão do acesso com a sustentabilidade social, ambiental e econômica. “Não basta levar abastecimento de água, esgoto, resíduos sólidos e drenagem urbana a todos os subsistemas. É preciso manter essas operações de forma sustentável em todas as dimensões”, destacou.

Já o professor Duarcides Mariosa, da PUC-SP, chamou atenção para as desigualdades entre áreas urbanas e rurais. Enquanto grandes cidades contam com estruturas centralizadas para tratamento de água e efluentes — ainda que insuficientes em regiões periféricas —, no meio rural predominam sistemas individuais, muitas vezes precários. “Captações subterrâneas e fossas sépticas são comuns, mas frequentemente carecem de manutenção adequada”, ressaltou. A II CIRSOL segue até sexta-feira, reunindo especialistas, representantes do governo e do setor privado para discutir soluções sustentáveis para o manejo de resíduos sólidos e a universalização do saneamento no país.