Avanço reflete mudanças estruturais em tecnologia, logística reversa e compromisso ambiental da indústria
Com uma produção cada vez mais alinhada aos princípios da economia circular, o setor de eletroeletrônicos brasileiro deu um passo importante rumo à sustentabilidade. Segundo levantamento realizado pela MaxiQuim, encomendado pelo Movimento Plástico Transforma (iniciativa do PICPlast), o uso de plástico reciclado no segmento cresceu 19% em 2023. No total, foram 37 mil toneladas de resinas recicladas pós-consumo (PCR) utilizadas ao longo do ano, 6 mil toneladas a mais do que em 2022.
Esse crescimento vem sendo puxado por empresas que estão transformando sua cadeia produtiva, como a Electrolux, que consome 3 mil toneladas de PCR ao ano em todas as suas linhas de produtos. O material reciclado está presente em diversos componentes: carcaças, embalagens, acessórios e peças internas de eletrodomésticos e eletrônicos em geral. Entre os materiais mais utilizados, o polipropileno pós-consumo se destaca, 15,6 mil toneladas foram aplicadas em peças alternativas e de reposição. Já o poliestireno reciclado soma outras 17 mil toneladas, usadas em peças não estruturais, tanto internas quanto externas.
Para Simone Carvalho, do grupo técnico do Movimento Plástico Transforma, esse avanço é reflexo de múltiplos fatores: “Estamos observando um crescimento na utilização de plásticos reciclados na indústria de eletroeletrônicos devido à melhor qualidade desses materiais. Isto é resultado do avanço dos sistemas de logística reversa, da triagem mais qualificada e da inovação em tecnologias para reciclagem, como também à necessidade de reduzir o impacto na produção.” A especialista destaca ainda que essa evolução representa um ganho sistêmico para toda a cadeia produtiva, ao combinar viabilidade técnica, responsabilidade ambiental e inovação.