Realizado na última quarta-feira, 06 de agosto, no Auditório do CIC em Caxias do Sul, o Simplás – Sindicato das Indústrias de Material Plástico do Nordeste Gaúcho, promoveu o 3º Simpósio de Inovação, Tecnologia e Sustentabilidade reuniu especialistas, empresários e profissionais da indústria em uma tarde de reflexões e conexões sobre o futuro do setor. Com palestras que abordaram desde o impacto da inteligência artificial até as práticas da economia circular, o evento foi marcado por insights práticos, troca de experiências e uma forte ênfase na construção de soluções mais eficientes e sustentáveis. Entre os destaques da programação estavam as apresentações de Marco Lobo, Rose Nogueira, Thiago Naves e Gustavo Melles, que estimularam os participantes a pensar inovação de forma integrada e aplicada à realidade industrial.
O designer e pesquisador Marco Lobo abriu o Simpósio de Inovação, Tecnologia e Sustentabilidade do Simplás com uma provocação instigante: como aplicar inteligência artificial e design lúdico para resolver problemas do cotidiano com impacto social e ambiental positivo? Com exemplos de marcas internacionais como Joseph Joseph, Lékué e Cozine, Lobo apresentou soluções criativas como lixeiras inteligentes, utensílios ergonômicos e produtos 100% reciclados. Ele defendeu que o design deve ser pensado de forma econômica e inclusiva, respeitando as culturas locais e dialogando diretamente com as necessidades do consumidor. “A tecnologia precisa estar a serviço das pessoas, da acessibilidade e da sustentabilidade – não apenas do lucro”, afirmou.

Durante a palestra, Marco também destacou o conceito de “glocalismo”, que une identidade cultural local com tendências globais de inovação. Defendeu a importância de ouvir o público e de incorporar valores sociais, como saúde mental, inclusão e participação comunitária, no desenvolvimento de novos produtos. Segundo ele, a transição ecológica passa não apenas pela adoção de materiais renováveis e recicláveis, mas também pela construção de um pensamento de design que priorize o bem-estar coletivo. Ao final, convidou o público a participar de workshops promovidos pelo Think Class Brasil, focados em metaprojetos e na formação de habilidades para o futuro da indústria criativa.
A segunda palestra da tarde foi conduzida por Rose Nogueira, especialista em economia circular, que trouxe reflexões importantes sobre o potencial transformador desse modelo para a indústria. Em sua fala, ela destacou que a economia circular não é apenas uma alternativa ambiental, mas uma grande oportunidade econômica. “Um estudo recente mostrou que a economia circular pode gerar entre 1,8 e 3 trilhões de dólares para a União Europeia até 2030. E eles já estão fazendo esse movimento”, afirmou. Como exemplo prático, relatou sua experiência na Europa, onde embalagens de bebidas são cobradas à parte e devolvidas pelo consumidor, num sistema bem estruturado de logística reversa.

Rose também apontou como a inteligência artificial pode ser uma aliada no avanço da circularidade, otimizando processos e permitindo uma análise mais profunda dos ciclos de produção e consumo. Para ela, é essencial que as empresas integra tecnologia, design e responsabilidade social em seus modelos de negócio, sempre com foco na reutilização de materiais e na minimização de resíduos. “É preciso enxergar a economia circular como parte da estratégia central das empresas, e não como um apêndice”, concluiu.
Em seguida, foi a vez de Thiago Naves, especialista em inteligência artificial, que apresentou aplicações práticas da IA em diferentes setores da indústria. Ele destacou como a tecnologia pode ser usada de forma estratégica em áreas como visão computacional, machine learning e linguagem natural, e citou exemplos de empresas brasileiras que já aplicam IA em larga escala, como a Cilia — que processa imagens de veículos para seguradoras — e a Gazin, que automatiza a reposição de estoque no varejo. Thiago explicou que a criação de soluções com inteligência artificial exige não apenas dados proprietários, mas também infraestrutura robusta, como servidores com alto poder de processamento gráfico, e parcerias estratégicas com o mercado.

Ao longo da palestra, o especialista reforçou que estamos atualmente no “pico inflacionado” da expectativa em relação à IA, mas que em breve o mercado deve entrar em uma fase mais estável e madura. Ele também enfatizou que a adoção da IA deve ser feita com clareza e foco: “se for para começar, escolha uma das três áreas principais — machine learning, visão computacional ou IA generativa — e construa soluções escaláveis a partir disso”. A palestra despertou o interesse do público ao mostrar, com dados concretos, que a inteligência artificial já está moldando o presente da indústria brasileira — e não apenas o futuro.
Encerrando o simpósio, Gustavo Melles trouxe uma provocação histórica sobre a evolução da comunicação humana — desde os desenhos nas cavernas até a tipografia, o e-mail, as redes sociais e, agora, a inteligência artificial generativa. Ele alertou que, ao longo da história, quem não se adapta às novas linguagens e ferramentas acaba perdendo sua função social e profissional. Para ele, não se trata de competir com a tecnologia, mas de compreendê-la e incorporá-la. A IA já está presente, e ferramentas como o ChatGPT estão revolucionando a maneira como aprendemos, trabalhamos e nos comunicamos — e essa transformação é rápida. Enquanto o ser humano evolui lentamente, a tecnologia avança em ritmo acelerado, atualizando-se constantemente e criando novas possibilidades para quem sabe aproveitá-las.

Gustavo destacou que a inteligência artificial não vai substituir os profissionais, mas sim aqueles que não souberem usá-la. Por isso, defendeu uma abordagem prática para a adoção das novas ferramentas, baseada em quatro etapas: exploração, emoção, compartilhamento e aplicação. A curiosidade leva à descoberta, o encantamento inicial nos conecta emocionalmente, o compartilhamento de experiências fortalece o aprendizado coletivo e, por fim, a aplicação no dia a dia traz ganhos concretos em produtividade e inovação. Segundo ele, estamos vivendo um momento sem precedentes, e saber usar IA se tornará um diferencial decisivo para o sucesso individual e das empresas.